Chanel lança bumerangue e desagrada aborígenes

Grife de alta costura é acusada de apropriação cultural por australianos.

bumerangue chanel

Quem é louco de jogar um bumerangue de R$ 4.400,00? Louco pra comprar tem.

Uma marca mundialmente famosa pode se dar ao luxo (e que luxo) de vender produtos com sua assinatura — fora do seu ramo de atuação — apenas em favor do lucro?

No que depender dos aborígenes australianos não.

Os nativos da Austrália se ofenderam e muito com o mais novo lançamento da maison francesa. Um bumerangue, lindo por sinal, que custa os olhos da cara.

O artefato vendido como um artigo esportivo pela marca possui valor histórico para a nação australiana e é símbolo de sua cultura, como sabemos.

Tudo começou quando o maquiador americano Jeffree Star postou em seu Instagram uma foto segurando o produto. Foi o que bastou para que as pessoas começassem os ataques à grife francesa.

O retorno foi rápido: a Chanel foi acusada de apropriação cultural por banalizar um artigo produzido artesanalmente pelos nativos, que inclusive sobrevivem do comércio de bumerangues e outros objetos.

Outras grifes de luxo também possuem bumerangues com suas respectivas marcas

O mais engraçado é que a Hermès e até a Lacoste já haviam lançado bumerangues com sua assinatura (leia aqui), mas na época “passou batido” pelo público em geral, que não consome as marcas. O Instagram e o Facebook não eram tão populares quanto hoje.

Bumerangue da Lacoste

Bumerangue da Lacoste

Bumerangue da Hermes

Bumerangue da Hermès

Foto publicada pelo maquiador, que gerou todo o alvoroço nas redes sociais.

Foto publicada pelo maquiador, que gerou todo o alvoroço nas redes sociais.

Exagero das redes sociais? O fato é que a Chanel sempre lança produtos esportivos com seus C cruzados, a preços exorbitantes. E nessa sobrou até pro maquiador, que sofreu críticas por gastar tanto dinheiro com o bumerangue “de grife” quando deveria (?), como figura pública, ajudar os aborígenes investindo em sua cultura.

Pra contornar a situação a Chanel publicou no The Guardian um pedido de desculpas e declarou seu respeito a todas as comunidades e suas respectivas culturas. Os australianos, no entanto, esperam mais que isso. Pedem que a maison doe o lucro com as vendas do bumerangue às comunidades aborígenes… mas é muito mais fácil fazer um bumerangue voltar do que alguma grife famosa doar dinheiro não é mesmo?

Agora a pergunta que não quer calar: qualquer pessoa (não sendo australiana) pode produzir e vender bumerangues sem ser acusada de apropriação cultural? A Chanel vai ter que “pagar royalties” também aos havaianos se quiser vender uma prancha de surf?

Aliás, ela já vende um paddle board. Imagine o preço…

Chanel Paddle Board

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